Caetano Veloso está, neste momento, a dar o seu segundo concerto seguído no Coliseu do Porto. Perguntam-me vocês porque raio não estou eu a ver. Eu respondo - porque já fui ontem. O homem está para as curvas e trouxe uma banda de apenas quatro elementos, contando com ele, e uma sonoridade muito rock, como se tivesse de repente acordado de novo nos anos 70.
É um músico que se adequa aos tempos presentes e soube progredir a sua estética, cortando com a normalidade. Muita gente não gostou. Eu vi as caras das pessoas. Eu vi o seu desagrado descendo as escadas da Galeria do Coliseu. Eu senti o peso de quebrar a tradição. Queriam o Caetano de violão, duas horas seguidas a debitar Leõezinhos e Caracóis. Apanharam com sonoridades quase psicadélicas, quase glam-rock, mas muito, muito bem conseguidas. O álbum Cê é obrigatório. Os outros anteriores também, porque, de facto, os Caracóis e Leõezinhos também fazem falta.